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Cistite Idiopática - Síndrome de Pandora

Por Leila Sena
Leila Sena
Sou médica veterinária, atuo em Brasília, e a minha paixão e especialidade são o
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Terça, 25 Outubro 2016 "Categoria 0 Comentários

Seu gatinho sofre constantemente com problemas urinários? Vez ou outra você o nota vocalizando ao urinar, aparentando estar com dor? Ás vezes você percebe que o gatinho anda fazendo xixi fora do lugar ou até mesmo xixi com sangue? Seu gato já foi ao veterinário e passou por uma desobstrução uretral?  Se sua resposta foi sim para qualquer uma dessas perguntas, esse artigo pode ser exatamente o que você precisava ler para tentar compreender o que ocorre com seu gatinho e ajudá-lo.

Você sabia que o estilo de vida do seu gato, mais fatores estressantes diversos podem estar diretamente ligados a esse tipo de quadro? Sim, o desconhecimento sobre o manejo adequado da espécie e consequentemente, o estresse podem estar gerando todos os sinais urinários citados logo no início do texto e alguns outros problemas. Esse artigo vai abordar uma doença considerada moderna no gato, a Cistite Idiopática ou Intersticial dos felinos (CIF) ou a Síndrome de Pandora. Nunca ouviu falar? Pois bem, se trata de uma síndrome com sintomas urinários e sintomas em outros órgãos que leva um número razoável de felinos (alguns em emergência) aos veterinários todos os anos. A CIF  é uma inflamação crônica e estéril, que passa por períodos de agudização desencadeados principalmente por fatores estressantes.   Essa inflamação crônica da bexiga leva a sintomas como urinar com dificuldade, urinar com sangue, vocalizar ao urinar, urinar em pequena quantidade várias vezes ao dia, e por vezes, leva a obstrução total da uretra, gerando assim um quadro de emergência no gato, que precisa ser, rapidamente e adequadamente, desobstruído.

O estilo de vida atual de um grande percentual de gatos domiciliados, mais a possível predisposição que alguns gatos parecem possuir podem ser umas das causas que justificam a alta incidência do problema, gatos confinados, sedentários, alguns com sobrepeso, com uma vida entediante e previsível, parecem ser o princípio para que ocorra a manifestação do problema. Além disso, uma alimentação inadequada, sem adequada reposição hídrica, parece piorar toda a situação. Será que seu gatinho não se enquadra nesse grupo?

Apesar da fisiopatologia da CIF ainda não estar totalmente esclarecida, algumas teorias têm se mostrado bastante prováveis, e a CIF mostra-se não somente como um Doença do Trato Urinário Inferior dos Felinos e sim como uma síndrome resultante de uma interação entre diferentes fenômenos que ocorrem em diferentes sistemas e que parecem se inter-relacionar.  Atualmente, acredita-se que a CIF seja resultado de interações entre o Sistema Nervoso Central, Sistema Endócrino e bexiga (vesícula urinária). Estudos indicaram que gatos com CIF parecem apresentar uma “superestimulação” ao estresse, demonstrando que o Locus Coeruleus (área do tronco encefálico, pertencente ao Sistema Nervoso Central) apresenta um aumento na atividade de uma enzima precursora de catecolaminas que se chama tirosina hidroxilase, e consequentemente, um aumento na liberação de Norepinefrina quando comparados a gatos sem a CIF. Além disso, há aumento da atividade da mesma enzima no hipotálamo e também há dessensibilização de receptores adrenérgicos alfa 2 centrais em gatos com CIF.  Gatos com o quadro de CIF apresentam ainda a inflamação neurogênica, resultado da ativação do sistema nervoso simpático que irá aumentar a permeabilidade epitelial e tornar o urotélio (epitélio da bexiga) exposto aos agentes nocivos presentes na urina (como ph ácido e alguns eletrólitos),  com isso ocorre estimulação de fibras nociceptoras como as fibras C e, consequentemente, liberação de substância P que é um neurotransmissor facilitador da inflamação. Em gatos com CIF tanto a excitabilidade das fibras C quanto o número de receptores de substância P estão também aumentados, além de apresentarem uma redução na camada protetora do urotélio composta de Glicosaminoglicanas.

Com toda a estimulação do sistema nervoso, esperava-se uma “super-resposta” do sistema endócrino, e em gatos com CIF isso não ocorre, o que se sabe é que gatos com CIF apresentam uma baixa concentração sérica de cortisol no estresse, além de adrenais também menores, quando comparados a gatos sem CIF. E o cortisol é fundamental para modular a resposta ao estresse.  Nos gatos com CIF o eixo HPA (hipotálamo – pituitária – adrenal) parece dissociado da resposta do Sistema nervoso simpático ao estresse. E saber disso é fundamental para compreender que um tratamento que foque somente na bexiga apresentará alto índice de falhas, aumentando assim o risco das obstruções uretrais em gatos machos e retornos constantes ao veterinário.

Sabe-se também que o quadro é auto limitante, isso quer dizer que passados alguns dias, o gato poderá não manifestar sintomas. O que leva a crer que alguns tratamentos focados somente na bexiga, e até o uso de medicações inadequadas ao problema, como antibióticos, gerarão melhora no quadro que o bichano apresenta. Nesses casos, a incidência de retorno dos sintomas em um período breve é o esperado. Mesmo sendo auto limitante, a CIF é extremamente dolorosa, e um tratamento adequado deve ser fornecido ao animal.

Pois bem, agora que entendemos um pouco melhor o que é a CIF e sabemos que o estresse é um fator desencadeador importante na doença, podemos dizer que o tratamento da mesma será baseado no que chamamos de modificações ambientais multimodais, que consiste em avaliar o ambiente em que o gato vive e identificar potenciais pontos geradores de estresse, e em seguida realizar modificações com o intuito de amenizá-lo.  Tais modificações ambientais irão variar de caso em caso, não existindo assim uma “receita de bolo”, portanto, o veterinário é o profissional chave para avaliar as mudanças necessárias, além disso, será fundamental a implementação de uma melhora na ingestão hídrica dos gatos acometidos com a CIF e medicações adequadas quando houver crises agudas ou até mesmo nos quadros crônicos severos e recorrentes.

Mas porque Síndrome de Pandora?

O ramo da medicina que nomeia as doenças chamamos de Nosologia, geralmente a nomeação das mesmas é baseada nos sintomas presentes, etiologia, patogenia e sistemas-órgãos afetados. A nomeação pode se mostrar bastante complexa visto que apesar de ser baseada nos sinais e órgãos afetados, a doença pode não ser realmente iniciada no órgão que está manifestando sintomas e também porque várias doenças afetam mais de um sistema. Quando se falam em novas doenças uma nomeação inicial baseada em sinais e sintomas sem uma etiologia bem definida pode até atrapalhar uma maior investigação sobre a doença e pode também interferir no tratamento do paciente, visto que se foca no órgão que está manifestando mais claramente a alteração.  Termos como síndrome urológica felina, doença do trato urinário inferior dos felinos e até cistite intersticial, apesar de identificarem bem o local onde está ocorrendo uma das manifestações do problema (o sistema urinário), não englobam todos os sinais e sintomas que esses gatos demonstram. Muitas vezes ao classificar um gato com DTUIF falha-se em avaliar todo o paciente e se foca somente no Trato Urinário Inferior.

O termo Síndrome de Pandora passou então a ser utilizado, pelo fato de que gatos com sinais e sintomas no Trato urinário inferior de causa idiopática também demonstravam sinais e sintomas em outros órgãos e sistemas, como pele, sistema respiratório, cardiovascular, endócrino. E tais manifestações aumentavam ou diminuíam sua severidade de acordo com eventos que ativavam o sistema nervoso simpático (estresse). Assim como algumas manifestações se resolviam somente com uma melhora ambiental inibindo o desencadeador do estresse.  Portanto, o termo síndrome de Pandora é utilizado para alertar que o gato em questão muito provavelmente apresentará sintomas que vão além das manifestações urinárias de causa desconhecida, e que é preciso avaliá-lo como um todo para se instituir um tratamento mais efetivo.  O termo síndrome de pandora é uma analogia ao mito grego que explica como os males do mundo estão presentes. Zeus, um dos deuses gregos, com sede de vingança contra os titãs Prometeu e Epimeteu, ordena a criação de uma mulher semelhante as deusas, foi criada então Pandora, que se casou com o Titã Epimeteu. Como presente de casamento os deuses enviaram uma caixa, Prometeu ciente que não seria coisa boa, pediu que não abrissem a caixa, porém, Pandora era bastante curiosa e a abriu,espalhando todos os males do mundo. Portanto, podemos dizer que gatos com a síndrome de pandora são uma caixa de surpresas.

Estudiosos em medicina felina citam constantemente que o manejo inadequado do felino mais o estilo de vida atual de um número razoável de gatos domiciliados, podem ser os desencadeadores de uma série de doenças atuais nos gatos. Saber reconhecer a espécie felina como ela é e implementar mudanças para minimizar o aparecimento de doenças é fundamental para que nossos felinos permaneçam saudáveis e tenham uma boa qualidade de vida.

Chegamos ao fim de mais um assunto bastante interessante e que demonstra o quão particular o felino é. Espero que tenham aproveitado o texto e gostado da leitura. Deixarei três referências bibliográficas em que me baseei para escrever esse texto.

Abraços e até a próxima.

*esse texto foi escrito com a intenção de informar os senhores proprietários com noções resumidas sobre a doença. Caso o seu gatinho apresente os sintomas citados no texto procure atendimento veterinário especializado em medicina felina. Somente o veterinário é capacitado para diagnosticar adequadamente e tratar corretamente seu felino, não o medique sozinho.

Referências bibliográficas:

BUFFINGTOH, C.A.T. Idiopathic Cystitis in Domestic Cats – Beyond the Lower Urinary Tract. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2011, Jul-Aug; 25 (4) 784 -796

SCHERK, M. Urinary Tract Disorders. In: Little, S. The Cat. Clinical Medicine and Management. St. Louis, MO: Elsevier Saunders, 2012. P.985-991.

WESTROPP, J. L.; BUFFINGTON, C. A. T. Lower Urinary Tract Disorders in Cats. In: Ettinger, S.J; FELDMAN, E.C. The Textbook of Veterinary Internal Medicine. 7ª Edição. St. Louis, Mo: Elsevier Saunders, 2010. P.2069-2086.

 

 

 

Tags: cistiteidiopatica sindromedepandora cif hematuriaemgato dtuif
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Gatos Quimera. É isso mesmo??

Por Leila Sena
Leila Sena
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Sábado, 04 Junho 2016 "Categoria 0 Comentários

 

A gatinha da foto se chama Vênus, e bombou na internet em meados de 2014. Logo começou a ser divulgado que a Vênus é uma Quimera. Mas será que isso é verdade?? Hoje em um grupo de amigos essa discussão veio à tona, e também porque recentemente uma cliente me avisou que estava adotando uma quimera, daí veio aquela  vontade de escrever esse texto.


Pois bem, apesar de muitos a divulgarem (e divulgarem tantos outros) como uma quimera verdadeira, não podemos dizer que isso é verdade. Mas o que é uma Quimera? Bem, a quimera é um evento biológico bem raro, um animal quimera apresenta materiais genéticos distintos, como se fosse dois animais fundidos em um só e isso ocorre durante o momento de seu desenvolvimento ainda como embrião, dois zigotos se unem e fundem, e dão a origem a um único indivíduo quando na verdade era pra ser dois indivíduos.


Apesar de ao visualizar o rostinho da Vênus e termos a impressão que dois gatos foram fundidos é importante entender um pouquinho sobre a genética das cores das pelagens dos gatos para percebemos que na verdade a Vênus é mais uma gatinha escama de tartaruga e branco do que uma Quimera. Pelo menos é isso que podemos afirmar.


Vamos às cores?
O Cromossomo X, é um dos responsáveis por determinar a cor do indivíduo felino, sabemos que os Felinos apresentam a possibilidade de constarem em seu material genético, de forma bem básica, as colorações Laranja ( O – Orange) e Preta( B – Black/Brown, sim na verdade o gato preto pode ser um marrom bem escuro, mas isso é outro assunto) e suas diluições e o Branco (W – White, ou S-Spotted).


O gene Laranja é ligado ao Cromossomo X e possui 2 alelos que vamos chamar de Laranja (O) e não-laranja (o), o gene não-laranja (o) é recessivo e permite que um gato com gene da coloração B (preto) manifeste plenamente essa coloração. Já o gene laranja (O) é um alelo dominante e pode influenciar não somente a presença da coloração preta mas também a marcação do pelo que chamamos de agouti (A), (já reparou que às vezes um único pelinho do seu gato tem mais de uma cor, tem uma marcação “rajada”? Então, quem determina isso é um outro gene presente no código genético dos gatos, que chamamos de agouti (A). Essa marcação é bastante presente na vida selvagem e é responsável pelo efeito camuflagem de muitos animais). A importância do gene Laranja (XO) nos non-agoutis (aa - gatos com coloração sólida, sem nenhum pelinho rajado) é que ele faz epistasia com o gene non-agouti (aa), isto é, eles inibem essa característica se o gato tivero pelo com marcacao sólida, e isto faz com que todos os gatos Laranjas (XO) tenham os pelinhos rajadinhos (em diferentes tons laranjas), alguns em mais intensidade e outros em menos. Outro evento legal é que nas gatas heterozigotas (Oo um cromossomo X laranja e o outro não laranja,), sabemos que o laranja não irá se sobrepor sobre outra coloraçao, e que ainda no desenvolvimento desses embriões , algumas células irão produzir a melanina que resulta na coloração laranja (feomelanina -presente nos gatos com alelo O), e outras células não irão produzir tal melanina (o). Com essa condição heterozigota do gene da cor LAranja mais a atuação do gene da cor Preta as gatas escaminhas ou mescladas irão nascer.


Mas e a Vênus, nessa história? Pois bem, ela é uma fêmea mesclada escaminha, então sabemos que ela é heterozigota, e apresenta no código genético, o gene Laranja, o gente Preto e A COR BRANCA, mas não o gene Branco. Como Assim? Ela não tem o gene Branco? A verdade é que não, não tem, pois o  gene Branco (W) é dominante e se ela o tivesse, ela seria uma gata totalmente branca de olhos azuis, e muito possivelmente surda. O que é então o branco da Vênus? A marcação branca nesses gatos apresenta uma condição chamada de piebaldismo (ou White spotted)- (S), que afeta  a produção de melanina em alguns pontos do organismo. O legal do gene S é que se ele for homozigoto recessivo (ss), o gato não terá manchas brancas, se ele for heterozigoto (Ss), ele terá as manchas em algumas partes do corpo, sendo mais concentradas no peito, patas, focinho, queixo, pancinha. Pronto encontramos a Vênus! E caso ele seja homozigoto dominante (SS), a gata poderá ser totalmente branca (geralmente, vemos algum pequeno tufinho com cor, mas parece que tudo é branco) ou então, esse gato terá mais da metade de todo o corpo branco, e nesses casos, muitas vezes aos olharmos o gatinho achamos que as manchas são as partes escuras, e na verdade a mancha é o Branco.

 

Pronto, compreendido o fenômeno de cor dessa gata e  de outros gatos parecidos com ela, voltemos pra dúvida, o que pode dizer se ela é uma quimera ou não? Pois bem o que pode excluí-la ou incluí-la como quimera é um teste genético. E como esse teste poderia ser feito? Uma opção seria obter material (tecido) do lado laranja e do lado preto e caso houvesse um material genético distinto para cada lado, aí sim teríamos a confirmação. Mas e aí? Alguém já se interessou por isso? Sim,  o teste genético dela foi feito e  ela não tem materiais genéticos distintos, portanto, ela NÃO É UMA QUIMERA!! Bem, o site dela diz isso, porém, as informações são bem básicas.
Uma certeza que nós temos é que ela é uma gatinha escaminha com uma face em mosaico bastante marcante e peculiar, não quimera.
Lembremos que outros gatinhos também possuem esse tipo de marcação, conforme fotos que coloquei nesse artigo, e não podemos afirmar que são quimeras sem que uma análise genética possa confirmar essa condição. Vale lembrar também que quimeras são alterações biológicas pouco usuais, portanto, o mais comum é não encontrá-las. Há relatos de gatos machos escaminha de tartaruga que eram quimeras.


E aquele olho Azul ??


Pois bem,  lendo entrevistas, inclusive uma que a renomada geneticista  veterinária PhD. Leslie Lyons forneceu à National Geographic (a entrevista você encontra facilmente no google), ela diz que esse é um ponto que ainda precisa ser elucidado melhor pois a gata possui poucas manchas brancas e esse olho é encontrado nos gatos com albinismo ou muito branco. Enquanto outros dizem que o causador desse olho nela é, realmente, o gene das manchas brancas (S).
Enfim, atualmente, a teoria que melhor explica o porque desse olho azul é  realmente a provável interferência do gene das manchas brancas, o S. Sabemos que olhos azuis em gatos ocorrem naqueles que possuem o gene dominante Branco (W), nos albinos (siameses) e também é bastante comum em gatos com genes da mancha brancas, os piebalds (S), porém, é mais visualizado em gatos com a forma homozigota SS, isto é, gatos com muito branco na composição da coloração. Muitos desses gatos poderão ter olhos azuis ou Odd-eyes (azul e verde/ azul e cobre), como a gatinha em questão.

No caso da Vênus, tudo indica que ela apresenta muito provavelmente a forma heterozigota desse gene (Ss), pois ela tem pouco branco e talvez por isso, a geneticista Lyons estranhe a cor desse olho. Mas enfim, o olho azul está ali.

 


E o rosto meio a meio?


Coloco aqui a mesma explicação que a Dra. Lyons aborda, provavelmente durante a formação embrionária  da gatinha, de forma aleatória, todas as células de um lado da face foram ativadas para ter a coloração preta (alelo não laranja)e o outro lado de forma também aleatória ativou as células para apresentarem coloração laranja (alelo laranja). Enfim, a verdade é que a genética é muito generosa com alguns indivíduos e essa gatinha está neste grupo. Pelo menos quando o assunto é marcação e coloração da pelagem sabemos que essa gatinha encanta.
Enfim, gatinha interessante, e assunto mais interessante ainda. A genética das cores e marcações de pelame dos gatos é bastante extensa e por vezes complexa, e nesse caso citei alguns pontos bem básicos, mas já dá para se apaixonar pelo assunto, não é mesmo?? Aliás, atualmente, é um dos assuntos que mais gosto de ler.

 

Chegamos ao fim e espero que tenham gostado desse artigo, que criei com bastante cuidado e tentando ser o mais didática possível. E agora vocês  já tem a informação correta sobre a característica dessa gatinha e sobre outros gatinhos que parecem ser dois gatos em um .


Qualquer dúvida, sugestão me manda um email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Tags: Gatos quimera, genetica dos gatos, coloração dos gatos
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Obesidade Felina.

Por Leila Sena
Leila Sena
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Quarta, 03 Dezembro 2014 "Categoria 0 Comentários

 

 

Ps: texto um pouquinho longo mas que vale a pena, deixa a preguiça de lado e aproveite.

Quem não gosta de um gato fofinho, gordinho, que dá vontade de apertar? Pois bem, apesar de parecer bonitinho, alguns gatos estão ficando fofinhos demais e a obesidade em felinos se tornou um problema sério, sendo relatada por veterinários no mundo todo e pode vir associada ao aparecimento de outras doenças como a diabetes, lipidose hepática, osteoartrite e doenças do trato urinário. Ela acomete principalmente animais castrados, sedentários e que sempre tem alimento disponível no potinho (ad libitum).

E o que você pode fazer?

Você cuida do seu gatinho muito bem, e sempre ouviu dizer que gato tem que ter sempre o alimento disponível, certo? Infelizmente, não é assim que deveria funcionar, o gato em seu ambiente natural passa grande parte do tempo caçando e conseguir alimento não é tarefa fácil, o que demanda bastante energia. Como o gato precisa caçar e não tem alimento disponível toda hora é um erro deixarmos o potinho sempre cheio. Ok, mas se seu gato vive em apartamento ou em casa sem acesso à rua, como ajudá-lo a não se tornar sedentário e obeso? Bem, seguem algumas boas dicas.

Todo gato deve ser estimulado, desde filhotinho, a brincar para ter uma vida mais saudável. Parece bobagem, mas a tendência é aquele filhotinho explorador se tornar o dono do sofá mais próximo ao potinho de ração se não houver estímulo suficiente. Quando tornamos o ambiente indoor mais parecido com o que o gatinho teria do lado de fora, produzimos enriquecimento ambiental, e consequentemente, um gato mais feliz e ativo. Para tornar o ambiente mais saudável ao gato você deve estimulá-lo com pelo menos 15 minutos de brincadeiras diárias, seja com bolinhas de papel ou brinquedinhos mais tecnológicos, o importante é se mexer, você vai perceber um gato mais tranquilo pois além de ajudar a manter o peso saudável, brincar ajuda bastante nas alterações ligadas à ansiedade. Você também deve estimular que ele vá buscar seu alimento em locais que ofereçam um certo desafio, como colocar o potinho em prateleiras no alto para o gato escalar antes de comer, ou ao menos, distanciar o potinho do local de descanso do gato, se ele gosta do quarto pra descansar, coloque os potinhos em locais mais distantes como na cozinha, o importante é ele se movimentar, quanto mais exercício melhor. Porém chamo atenção para aqueles gatinhos que podem estar apresentando sobrepeso razoável e dores nas articulações, a avaliação veterinária é fundamental para sabermos se o gato pode ou consegue escalar, se houver dor e problemas a sobrecarga nas articulações deve ser evitada. Ao mudar o alimento de lugar deve-se observar o gato com cuidado nos dias seguintes, para se certificar que o gatinho está realmente se alimentando, pois ao tentarmos evitar um problema como a obesidade podemos arranjar outro, como a lipidose hepática, que é um problema sério que se inicia quando o gatinho para de comer.

Além desses estímulos, atualmente temos no mercado pet, brinquedos interessantes que instigam a curiosidade e o instinto caçador dos felinos, como as toy boxes, nelas você pode tanto colocar brinquedinhos como alimentos, aliás são uma ótima opção pra iniciar com um gatinho sedentário que ama comida, coloca-se uma quantidade de comida dentro da caixinha e ele precisa se mexer pra pegar o alimento, nesse caso, vale a dica acima de observar nos primeiros dias se o gatinho realmente está conseguindo comer a comidinha que está na caixinha. Como o intuito aqui é não deixar o gatinho gordinho é importante se informar com um veterinário de confiança qual é a necessidade calórica do seu gatinho pra não dar comida além da conta, pois o alimento que se coloca na toy box também deve fazer parte da necessidade calórica diária do gatinho. Isto é, nada de petisco ou agradinhos.

Outra dica fundamental, é como você fornece a quantidade de comida pro seu gatinho, você deve sempre procurar um veterinário para determinar qual o melhor programa alimentar do seu bichano. Animais castrados e não castrados apresentam diferentes necessidades calóricas pois a castração altera um pouco o metabolismo dos animais, e ele comendo qualquer alimento e de qualquer jeito pode favorecer o aparecimento da obesidade. Mas eu preciso de um veterinário pra alimentar meu gato? A resposta é sim, o veterinário pode calcular exatamente as necessidade diárias do seu gato e lhe informar quanto ele deve comer e como você deve fazê-lo.

Uma pergunta muito comum nos check-ups é “ qual o melhor alimento para o meu gato”?

Respondo sempre aos meus clientes que temos duas opções de alimentos atualmente, uma seria a ração seca com a úmida, nas minhas consultas tento incluir a raçao úmida para todos os meus pacientes e já já respondo o porquê. E temos a opção de alimentos preparados em casa de forma balanceada e prescrita por um veterinário, que é conhecido como alimentação natural. Geralmente encontro um certo espanto tanto quanto falo da obrigatoriedade da úmida e também quando cito a alimentação natural como opção. Em seguida elucido porque essas opções são vantajosas para evitar o sobrepeso, além de outras vantagens.

Por que a ração úmida mais seca?

Pois bem, na natureza o gato consome presas, pois é carnívoro estrito. A presa é um alimento rico em líquido (sangue)e proteínas (músculos, etc) e tem um baixo teor de carboidratos (geralmente presente no bolo alimentar do intestino da presa), portanto a presa é um alimento úmido. A ração seca não se assemelha muito ao que o gato consumiria na natureza, tanto por ser seco como pelo seu alto teor de carboidratos. Ok, mas estamos falando de gatos domésticos, de casa, pets criados muitas vezes como filhos, e justamente por isso chamo atenção para esse ponto, pois a maioria dos donos de gatos não sabem como funciona o gato e acho que devemos respeitar a fisiologia do felino, seja doméstico seja selvagem, pois isso pouco mudou. A ração úmida tem um teor de carboidrato menor quando comparado com a seca, por isso opto sempre para sua inserção em todos os gatos, menos carboidrato menor a chance de ganho de peso. E porque não só a úmida? Não há maior problema em se dar somente úmida, o problema seria o alto valor ($$$) que pode ficar, e também o fato de não auxiliar na remoção de sujidades dos dentes, coisa que a ração seca auxilia bem, mas caso opte por somente úmida como alimento, o ideal é limpar os dentes, seja com uma escova ou gaze todo o dia. Outra questão que envolve a ração seca e a úmida é a forma como é consumida, não adianta colocar um punhado de ração seca mais uns dois saches de úmida e esperar que o animal não engorde, deve-se obedecer a necessidade calórica do felino, por isso é interessante que um veterinário faça o cálculo de requerimento e ensine o proprietário a pesar e fornecer a quantidade certa de alimento para o seu felino. A quantidade de gatos obesos tem relação com a forma equivocada como oferecemos a ração seca, é preciso obedecer o que está prescrito na embalagem e melhor ainda é seguir a recomendação diária calculada por um veterinário. Se a seca é rica em carboidrato porque devo continuar dando? Apesar de soar contraditório, ela é balanceada e é um alimento completo, mas quando dado de qualquer jeito pode predispor o aparecimento do sobrepeso. A vantagem que vejo, e que muitos proprietários concordam é a praticidade. Mas pra mim, a seca está longe de ser o ideal. A úmida ajuda no sobrepeso e também aumenta ingestão hídrica, um fator muito importante para a saúde urinária dos nossos felinos.

Gostaria de frisar que não sou contra a ração seca, ela é um alimento completo sim e naqueles casos em que o gato não se adapta a outros alimentos, ela é única opção balanceada que temos, então devemos usar, mas usar da forma correta.

 


Alimentação natural

A alimentação natural, aquela feita em casa (há opções comerciais também) tem ganhado adeptos no Brasil e já é muito difundida nos Estados Unidos, Europa. Nos USA recebeu ainda mais atenção, quando em 2007 a farinha de trigo, importada da China, utilizada em diversas rações secas industrializadas veio contaminada (de forma fraudulenta) por um composto químico chamado Melamina (que ao ser analisada conta como proteína). Esse composto é impróprio para consumo e é utilizado para fabricações de plásticos e artigos antichamas, consequentemente, vários animais (cães e gatos) que consumiram as rações tiveram lesões renais agudas e vieram a óbito. E não achem que foram somente rações de qualidade inferior, rações terapêuticas de marcas reconhecidas também passaram pelo recall, enfim, muitas pessoas se tornaram adeptas da alimentação natural para seus pets para ter a certeza do que estavam fornecendo aos seus pets.

Quando falamos de felinos, a alimentação natural corretamente balanceada pode ser uma excelente opção alimentar, visto que obedece a fisiologia dos gatinhos, pois se baseia em uma alimentação rica em carne, vísceras, e bem menos vegetais, como acontece na presa. Apesar de parecer simples, é um processo que necessita atenção para não deixar faltar nenhum item essencial para a saúde dos felinos. Por exemplo a taurina, eles não a produzem, portanto, necessitam ingerir tal complemento, então você fornece coração (víscera rica em taurina), porém, ao preparar você tritura o coração, pois parece mais fácil dar assim, e acha que está dando taurina suficiente. Pois bem, houve uma falha, boa parte da taurina se perde ao se triturar o coração, e é obrigatório a suplementação por fora. Para evitar erros e colocar o bichinho em risco ao optar por essa alimentação siga rigorosamente as recomendações veterinárias. A assistência de um veterinário é fundamental, pois como citei no início é preciso saber se o seu gatinho está sadio ou se precisa ter uma alimentação com alguma restrição. Além disso a introdução desse tipo de alimentação pode não ser tão simples e um veterinário especializado pode lhe auxiliar.

Voltando agora ao assunto obesidade, a alimentação natural como quase não contém carboidratos em sua composição, é um alimento com menor tendência a gerar sobrepeso no felino, sendo utilizado por diversos veterinários nos USA, que citam excelentes resultados ao introduzir esse alimento para animais obesos e diabéticos. Outros citam que o risco de obesidade em um gato que se alimenta desse tipo de alimento, é quase nulo.

Pois bem seguindo as dicas de enriquecimento ambiental e alimentação adequada, existe uma grande chance do seu gatinho não ganhar peso. Caso ele seja gordinho, procure veterinários especializados para um correto acompanhamento e manejo do problema. Gato gordo pode até ser fofo, mas não é saudável.

Qualquer dúvida ou referências, entre em contato pelo email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Tags: osteoartrite, diabetes, felino gordinho, alimentaçao natural, obesidade felina
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Meu gato sempre foi saudável, preciso (re)testá-lo para FeLV (Leucemia Viral Felina)?

Por Leila Sena
Leila Sena
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Segunda, 02 Setembro 2013 "Categoria 0 Comentários

 

Essa pergunta é comum na clínica de felinos e acredito que apesar do proprietário ter algum conhecimento da doença, muitas vezes, acredita que seria improvável que seu gato esteja contaminado, pois está com ele desde pequenininho, porque sempre foi saudável ou porque conhece os pais e esses eram saudáveis. Enfim, esse texto não vai de abordar como a doença funciona, a patogenia e as doenças associadas, somente tem o intuito de esclarecer porque testar e, ás vezes, retestar qualquer gatinho independente do seu histórico. E também sanar algumas dúvidas com relação à vacinação, que em alguns textos é citada como algo polêmico, ou como escutamos de alguns proprietários, "nunca vacinei porque a vacina pode interferir no teste e se ele adoecer pode ser confundido com um gato que tem FeLV".

Bem, quando falamos sobre diagnosticar o paciente para FeLV é importante que o proprietário entenda os seguintes pontos.

Todo gato deve ser testado pelo menos uma vez ao longo da vida, independente da idade e preferencialmente, mais de uma vez. Um dos motivos para realizar um novo teste é a ocorrência de regressão da infecção em alguns animais expostos ao vírus.Logo após a exposição ao vírus a maioria dos gatos pode apresentar um resultado positivo em aproximadamente 2 a 3 semanas, contudo, logo após este período, em torno de 2 a 8 semanas, o resultado obtido no teste pode ser negativo, e isso ocorre em animais que apresentaram uma resposta imune satisfatória que conteve a replicação viral. Apesar da regressão da infecção, existe uma pequena chance desses gatos desenvolverem alguma doença que está associada ao FeLV.

Outro motivo é a idade em que um filhote foi testado, quanto mais perto da data de nascimento, maior à chance de se obter um felino com um resultado falso negativo, pois logo após o nascimento, gatinhos infectados pela mãe levam um período (de semanas a meses) para demonstrar um resultado positivo. Portanto, retestar gatos que foram testados ainda novinhos é sempre interessante.

Outros pontos que devem ser levados em consideração são:

* O gato esteve em alguma situação de risco de contaminação (se tinha acesso à rua, ou a outros gatos, se costuma brigar)?

* Se o mesmo está doente e já foi exposto a situações de risco.

* Se será colocado em uma casa com outros gatos, sabidamente, negativos ou não testados.

* Gatos adotados recentemente e negativos, devem ser retestados, no mínimo, 60 dias após a adoção.

* E obrigatoriamente, todos os gatos devem ser testados para realizar a vacinação com a Quíntupla.

Um ponto muito importante é que gatos que receberam transfusão devem ser testados, mesmo que o doador tenha tido um resultado negativo antes de doar o sangue. Estudos relativamente recentes demonstraram que gatos que entraram em contato com a FeLV, e apresentaram uma regressão da infecção podem não mais eliminar o vírus em saliva, fezes, etc, porém, apresentam o próvirus em seu genoma, isto é, apresentam o DNA proviral, que pode gerar infecção no gato que receberá o sangue. E a única forma de detectar esse DNA proviral é através da realização de um real-time PCR.

E quais testes são realizados?.

Os testes comumente utilizados na rotina clínica no Brasil são os testes ELISA ou Imunocromatográficos, que são bastante confiáveis (sensibilidade e especificidades acima de 90%). Porém, naqueles casos em que um animal é positivo e assintomático, e o proprietário tem certa dificuldade em lidar com a ideia de uma possível doença grave no futuro, é importante saber que o valor preditivo positivo do teste é, em torno, de 74%. Isto quer dizer que, a probabilidade do animal com teste positivo estar realmente infectado é menor que 80%. E este dado deve ser levado em consideração caso proprietário opte pela eutanásia assim que souber do resultado do teste.

Pode–se ainda optar por outros testes, caso o proprietário ou o veterinário desejem outra forma de confirmação para o resultado. Esses testes seriam a Imunofluorescência Indireta (IFI) ou PCR. No entanto, a IFI não é tão acessível à rotina clínica brasileira, isto é, a maioria dos laboratórios comerciais que atendem aos clínicos não trabalha com esse tipo de teste, mas é um método utilizado nas pesquisas de universidades daqui.

Diferentemente do Brasil, os centros de referência em Medicina Veterinária e Medicina Felina nos Estados Unidos, procuram realizar em todo felino tanto o teste ELISA como o teste IFI e o paciente só é considerado FeLV positivo se além do ELISA, o IFI também for positivo.

Também podemos optar pelo real –time PCR , que está disponível em alguns laboratórios, sendo inclusive um método bastante sensível naqueles animais que já entraram em contato alguma vez com o FeLV, tiveram a regressão e apresentam os testes ELISA e Imunocromatográficos negativos. Entretanto, é preciso conhecer a forma como o laboratório trabalha com testes moleculares, pois o conhecimento técnico, manuseio da amostra, protocolo utilizado, entre outros fatores podem interferir no resultado. Seria interessante que todo gato doador de sangue realizasse esse exame, porém, o real-time PCR pode não ser uma realidade a todos os proprietários devido ao alto custo.

Outra dúvida frequente é a interferência que a vacinação contra a Leucemia Viral Felina gera nos testes (ELISA e Imunocromatografia). No caso da FeLV, a vacina não interfere nos resultados, portanto, felinos vacinados não darão positivo por conta da vacinação.

E quando falamos de filhotes, todos devem ser vacinados, mesmo aqueles com um resultado inicial negativo (falso negativo) que depois podem apresentar um resultado positivo, isto é, não devemos aguardar pra ver se vai apresentar um resultado positivo, principalmente aqueles filhotes que serão doados para locais com outros gatos ou terão vida livre. E a importância de vaciná-los ainda novinhos se dá porque quanto mais novos eles entram em contato com a FeLV, maior à chance de desenvolverem a forma progressiva da doença, que gera uma infecção persistente, tornando os filhotes infectados suscetíveis às doenças associadas ao FeLV, e a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir tais manifestações.

De qualquer forma, independente do animal ser assintomático ou não, todo gato FeLV positivo deve ser isolado dos demais gatos e não deve ser permitido o acesso à rua, afim de evitar a disseminação da doença.

É isso,espero que o texto tenha sido útil, e algumas dúvidas que já encontrei com alguns proprietários estejam sanadas.


 

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Permetrina, você conhece o perigo? Campanha International Cat Care

Por Leila Sena
Leila Sena
Sou médica veterinária, atuo em Brasília, e a minha paixão e especialidade são o
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Quarta, 21 Agosto 2013 "Categoria 0 Comentários

 

 

Como veterinários somos promotores de saúde e bem estar animal, e a preocupação em informar os proprietários sobre os produtos que fornecemos aos nossos bichanos e aos seus irmãos caninos é uma constante.

A International Cat Care deciciu lançar uma campanha que visa uma melhor regulação de um produto que pode causar a morte dos Felinos, a permetrina.

A permetrina é um composto piretróide que pode envenenar nossos bichanos e está presente em diversos produtos para controle de pulgas e carrapatos utilizados nos cães. Gostaria de ressaltar que alguns produtos amplamente utilizados no Brasil, apresentam outros compostos piretróides que possuem igual poder de envenenamento, um exemplo é a deltametrina. Portanto, o cuidado não deve ser somente com produtos contendo permetrina, e sim com todo composto piretróide.

A campanha visa a alteração da regulação do produto, que pode ser adquirido em qualquer lugar que venda produtos veterinários sem prescrição, para um produto que necessita de prescrição.  Infelizmente, tal regulação não deve alcançar o Brasil, mas a iniciativa deve ser apoiada, e se possível, copiada.

E fica aqui um alerta aos proprietários brasileiros, leiam, o rótulo de qualquer produto que vão aplicar no seu gato ou no seu cão, independente de quem indique.  A bula deve avisar em qual espécie pode ser utilizado e o composto químico presente no produto. Um outro detalhe, caso  o produto seja utilizado em cães e o contato do cão com o gato é próximo,  o envenenamento pode acontecer. É preciso estar atento.

Segue abaixo a tradução (livre) da Campanha e o link  para assinar a petição.

 

 

Assine e apoie.

“Campanha contra o risco de envenenamento de gatos com produtos contendo permetrina.

Fato: produtos spot-on para cães, que apresentam permetrina na composição podem matar gatos. Por favor, assine a petição do ICatCare para uma melhor regulação do composto.

Os produtos para controle de pulgas em cães (produtos spot-on), que apresentam alta concentração de permetrina, são vendidos em diversos estabelecimentos veterinários, sem necessidade  de prescrição. Os mesmos são vendidos ao proprietário sem nenhuma precaução ou aviso, o que pode resultar na aplicação do produto em gatos, gerando conseqüências muitas vezes fatais.

Gatos, frequentemente, são envenenados, apresentando convulsão, e em alguns casos morte devido ao fato que, alguns proprietários utilizam esses produtos em gatos, às vezes de forma acidental, ou  porque não foram advertidos de quão tóxico tal produto pode ser para gatos, mesmo sendo aplicado no cão da família.

Existem diversos outros produto efetivos e seguros para o tratamento de pulgas, porém, os produtos para pulgas com permetrina estão disponíveis sem que precisem de prescrição.

A reclassificação significaria que tal produto não poderia ser adquirido sem a devida prescrição e orientação, realizada por uma pessoa qualificada para tal. Essa simples mudança reduziria o número de gatos sendo envenenados ou mortos pela permetrina.

Eu apoio a campanha idealizada pela International Cat Care´s,  sobre a reclassificação dos produtos spot-on apresentando permetrina na composição, afim de prevenir que eles sejam comprados sem prescrição.”

Link: http://www.icatcare.org/permethrin/petition

 

Tags: permetrina, veneno permetrina, convulsão felinos, ICatCarecampaing
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Alergia X Gatos.

Por Leila Sena
Leila Sena
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Sábado, 15 Setembro 2012 "Categoria 0 Comentários

Quem não conhece alguém que só de entrar em uma casa com gatos, começa a espirrar, ou a coçar o nariz e que adoraria ter um gato, porém, a alergia é demais.

Tá aí um textinho sobre porque isso acontece e o que causa essa alergia ao felino. Além de algumas curiosidades, como possíveis raças "hipoalergênicas" e  uma empresa que diz produzir gatos que não causam alergia, mas será que é isso mesmo? Vá ler que eu não vou te contar.

Esse não é um texto meu, foi traduzido do blog do EXCLUSIVELY CATS VETERINARY HOSPITAL.  É um entrevista com o fundador do hospital e o assunto é a alergia que os gatos causam.

Coloquei o que achei mais interessante, mas quem quiser ler o texto original e na íntegra  é só clicar: http://exclusivelycats.blogspot.com.br/2012/09/can-i-buy-hypoallergenic-cat.html

 

Gatos x Alergias

Existe alguma raça que não cause alergia?

Infelizmente, não.

O principal causador de alergia desencadeada por gatos em humanos, é o alérgeno Fel d 1. Originalmente, ele foi identificado como um alérgeno  de origem salivar. E como o gato costuma se lamber, a pele apresenta grandes quantidades deste alérgeno.

O interessante dessa alergia , é que ela pode se manifestar em algumas pessoas dependendo do gato em que estão em contato, isto é, algumas pessoas moram com um ou mais gatos e nunca tiveram alergia, porém, ao entrar em um ambiente com um gato diferente do que está acostumado, pode manifestar a reação alérgica. Estudos demonstraram que gatos com pelo escuro são mais alergênicos, isto é, causam mais alergia que gatos de pele clara. Gatas prenhas, amamentando ou machos não castrados são mais alergênicos do que gatos castrados.

Outro dado interessante é que crianças que cresceram com gatos, tendem a sofrer menos de processos alérgicos ligados a animais.

Mas o que é o Fel d 1?

Inicialmente suspeitava-se que o pelo do gato causava alergia, no entanto, com a realização de diversos estudos sobre o assunto, chegou-se a conclusão que na verdade a alergia era causada por uma proteína presente na saliva, e que era depositada na pele e pelo, devido ao fato do gato se lamber. Com a deposição de pelos e pele no ambiente, pessoas alérgicas apresentam sinais, muitas vezes, estando somente no ambiente em que o gato reside, sem entrar em contato direto com o gato.

Essa proteína é considerada o principal alérgeno atuante nas alergias desencadeadas por felinos.

Recentemente, foi descoberto que, no mínimo, 8 diferentes proteínas  produzidas pelo gato podem causar sintomas ligados a um quadro alérgico, e que estas proteínas não estão ligadas à saliva.  O principal alérgeno (Fel d 1) é encontrado em diferentes formas (pleomórfico) e sítios no gato.

E quais são os alérgenos presentes nos felinos?

Fel d 1  - uma proteína, encontrada tanto na saliva  quanto em outros locais, como na glândula sebácea, na urina do gato macho e na glândula perianal. Envolvida em 90% dos casos alérgicos.

Fel d 2 – proteína albumina. Envolvida em 20 a 35% dos casos.

Fel d 3 – proteína cistatina. Envolvida em 10% dos casos.

Fel d 4 – proteína lipocalina. É também uma proteína urinária muito associada aos casos de alergia envolvendo o contato com os gatos.  Envolvida em 60% dos casos.

Fel d 5 – é um oligossacarídeo galactose-alfa-1,3-galactose  (carboidrato) , presente em IgA (secretada na saliva)

Fel d 6w – Imunoglobulina M

Fel d 7 – proteína da glândula de von Ebner. Apresenta semelhanças ao alérgeno Can f 1, presente nos cães (principal alérgeno canino).

Fel d 8 – proteína presente na glândula submandibular. Apresenta semelhanças com a Equ c 5, presente nos equídeos.

Aproximadamente 25% das pessoas alérgicas a cavalos, reagem também ao Fel d 4. Essa alteração está ligada a uma reação cruzada.

Sabe-se que alguns gatos e algumas raças apresentam menos alérgeno Fel d 1, que outros.

O que fazer se eu, gateiro (a) assumido (a) descobrir que tenho alergia a gatos?

Gatos costumam causar mais alergia que cães, devido ao fato de que as células mortas da pele e o próprio pelo costumam transitar mais facilmente pelos ambientes, devido sua leveza.

Você pode pedir a alguém não alérgico que escove o gato diariamente, e em seguida lave a escova, para minimizar a chance dessas células se difundirem pelo ambiente. Pode-se ainda passar uma toalha levemente úmida no gato, com o intuito de diminuir a eliminação de pelos e células da pele pelo ambiente. Pode-se usar um aspirador de pó, no entanto, aspiradores de pó comuns sem a limpeza adequada e sem um filtro chamado HEPA, podem, ao invés de ajudar, espalhar ainda mais esses alérgenos pelo ambiente. Portanto, dê preferência à aspiradores com filtros HEPA.

Você deve procurar ainda um alergologista, ele lhe auxiliará em determinar  as causas da alergia, além de tratar com a medicação adequada suas reações alérgicas. Algumas pessoas apresentam um quadro alérgico mais complexo, incluindo não somente a “alergia aos gatos”, mas também a alergia à outros alérgenos.  E dependendo do caso, com o tratamento adequado, estabilizando essas outras alergias, você pode também apresentar maior tolerância e melhora no quadro alérgico ligado ao seu gato.

Engana-se quem  acha que gatinhos causam menos alergia do que gatos adultos. Segundo o médico James Seltzer (ligado ao Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia), os gatinhos podem gerar maior alergia que gatos adultos, devido ao seu rápido metabolismo, crescimento e troca de pelo.

No entanto, outros sugerem que gatinhos causam menos alergia devido ao fato de que algumas proteínas (alérgenos) são ligadas aos ferormônios e à maturidade sexual. Dessa forma, está aí outro importante motivo para castrar seu gatinho, assim você mantem o nível de alérgenos, associados a gatos não castrados,  baixo.


Mas eu já ouvi falar de gatos que não causam alergia!!

Sim, inclusive existe uma empresa norte americana chamada Allerca (http://www.allerca.com), criada em 2004, que produz cães e gatos sem as principais proteínas causadoras de alergia em humanos (Can f 1 dos cães, e a Fel d 1 dos gatos). Esses animais são chamados de cães e gatos hipoalergênicos. Os preços para gatos variam de, aproximadamente U$ 6.000,00  a U$ 27.000,00. No entanto, em 2010, a produção desses animais foi interrompida, devido a suspeita de que muitos dos animais vendidos por um alto custo, continuavam a gerar reações alérgicas em seus donos.

Alguns estudos sugeriram que mesmo esses gatos  poderiam gerar iguais sintomas alérgicos, ligados a um gato comum.

A causa dessa alergia gerada pelos ditos animais hipoalergênicos, estaria ligada ao fato de que existem  outros tipos de alérgenos  presentes nesses animais, já que os mesmos foram criados não apresentando, somente, o Fel d 1.

Mas não existem raças que causam menos alergias?

Algumas pessoas costumam difundir que gatos Siberianos causam menos alergias que os outros, no entanto, segundo Martin Chapman, presidente da Indoor Biotechnologies, uma empresa que produz kits utilizados mundialmente em estudos ligados a alergia e seus alérgenos, diz que, essa informação não apresenta validação científica.

No entanto, criadores da raça costumam fazer tal afirmação devido a uma informação repassada sobre dois gatos siberianos que apresentavam uma menor quantidade de Fel d 1 quando comparados a outros dois gatos não siberianos. No entanto tal informação é muito criticada, pois foram utilizados somente 4 gatos, e quem forneceu as amostras foi um criador da raça Siberiana e, também, porque um dos gatos testados, não siberiano, apresentou uma quantidade absurda de alérgeno nunca antes detectada em qualquer outro gato  testado em todo o mundo( 60 vezes maior que o nível máximo detectado).

Contudo, o fato é que diversas pessoas relatam serem menos “atacadas” pela crise alérgica quando estão com um gato Siberiano.

Um estudo, coordenado por criadores da raça, contando com 300 gatos da raça siberiana,  onde foi obtido amostras de saliva e pelo, indicou que  todos os gatos apresentam algum nível de Fel d 1, sendo que os de coloração Silver, também apresentavam maior nível do alérgeno, 50% desses gatos apresentavam níveis menores de Fel d 1 quando comparados a gatos de outras raças, e 20% apresentou níveis baixíssimos de Fel d 1. Machos e fêmeas apresentaram níveis de alérgenos similares.

Outras raças consideradas muitas vezes hipoalergênicas (lembrando que não há estudo científico que determine isso) são: Balinês, Bengal, Burmês, Colorpoint Shorthair, Cornish Rex, Devon Rex, Javanês,Ocicat, Oriental Shorthair, Russian Blue, Siamês, Sphynx .

Algumas dessas raças apresentam menos pelos, ou em alguns casos não apresentam pelo, o que diminui a superfície onde o alérgeno pode se aderir. Outras apresentam menor nível de proteínas Fel d 1, como o Siberiano. Contudo não existe nenhuma garantia quanto à essas raças não gerarem uma reação alérgica.


Texto original e completo: http://exclusivelycats.blogspot.com.br/2012/09/can-i-buy-hypoallergenic-cat.html

 

Tags: gatos e alergia, alergia a gato.
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Meus agradecimentos ao Westside Hospital For Cats - Los Angeles, CA- USA.

Por Leila Sena
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Sábado, 15 Setembro 2012 "Categoria 0 Comentários

Estive fora todo mês de Agosto pois estava buscando aprimorar meu conhecimento nessa espécie que tanto amo.

Deixo aqui meus agradecimentos a toda equipe do Westside Hospital for Cats, Los Angeles, USA, pela oportunidade, apoio e aprendizagem.

Um agradecimento especial a Dr. Elyse Kent, DVM, DABVP, que idealizou o Westside Hospital for cats, e quem tornou possível minha ida ao hospital.

 

http://westsidehospitalforcats.com/

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Aviso importante aos clientes.

Por Leila Sena
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Segunda, 30 Julho 2012 "Categoria 0 Comentários

Queridos clientes,

 

estarei fora do Brasil por um mês, retorno em setembro. Qualquer urgência procurar:

 

Hospital Veterinário Santa Clara, 62 - 32514934. ATENDIMENTO 24Hs.

Dermopet - Consultório Veterinário, 62 - 39310102 . ATENDIMENTO DERMATOLÓGICO ESPECIALIZADO.

 

 

Estarei em contato pelo email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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IDADE DO GATO

Por Leila Sena
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Domingo, 03 Junho 2012 "Categoria 0 Comentários

Quantos anos o gatinho tem é uma dúvida bem frequente, pois bem, o post de hoje fala sobre isso.

Vale relembrar que gatos costumam viver bem mais que os amigos caninos. Sendo que alguns podem chegar aos 20 e poucos anos! Sim, há relatos de gatinhos com 20 anos pra mais. Legal, né!? No entanto, essa "vida longa" dependerá de alguns fatores, como o "estilo de vida" do gato, se é um gato de vida livre, se o mesmo sempre teve acompanhamento veterinário, e também dependerá, da genética do gatinho.

Idade do gato           Idade equivalente (humanos)

6 meses -------------------------10 anos

8 meses -------------------------13 anos

10 meses -----------------------14 anos

12 meses------------------------16 anos

18 meses------------------------19 anos

2 anos----------------------------21 anos

3 anos----------------------------25 anos

4 anos----------------------------29 anos

5 anos----------------------------33 anos

6 anos----------------------------37 anos

7 anos----------------------------41 anos

8 anos ---------------------------45 anos

9 anos----------------------------49 anos

10 anos--------------------------53 anos

11 anos -------------------------57 anos

12 anos--------------------------61 anos

13 anos--------------------------65 anos

14 anos--------------------------69 anos

15 anos--------------------------73 anos

16 anos--------------------------77 anos

17 anos--------------------------81 anos

18 anos--------------------------85 anos

19 anos--------------------------89 anos

20 anos -------------------------93 anos

 

Lembrem-se de realizar check-up anual em seu gatinho. E caso ele já esteja na "melhoridade", com mais de 10 anos, realize check-ups 2 vezes ao ano.

Procure sempre serviço veterinário especializado.

Abraços e até a próxima.

 

 

Tags: Idade do gato, gatos curiosidades, quantos anos tem meu gato.
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Carterinhas de Vacinação Projeto VIVA GATOS

Por Leila Sena
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Domingo, 22 Abril 2012 "Categoria 0 Comentários

 

 

As carterinhas são todas de Scrapbook, é composta por uma página para dados do gatinho e proprietário, uma para vermifugação, duas para vacinação, e acompanha duas Tags que podem ser utilizadas para colagem de foto, portanto, é uma carteirinha de vacinação, mini-álbum. Na capa apresenta local onde pode-se colar a foto do gatinho. A parte interna da carteirinha também é composta por técnica de scrapbook.

E o mais importante, é que a criação das carterinhas, foi com o intuito de reverter parte do valor para ajudar o abrigo do Projeto VIVA GATOS, de Goiânia, Goiás.

Tags: carteirinha scrapbook, projeto viva gatos
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Estresse X Gato

Por Leila Sena
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Segunda, 23 Janeiro 2012 "Categoria 0 Comentários

“Andar estressado”, “viver estressado”, são afirmações bem comuns nos dias de hoje, e nossos amados felinos padecem do mesmo mal.

Mas quais situações podem estressar nossos gatinhos?

Uma das causas mais comuns é a introdução de um novo gato na família, portanto, para a chegada do novo felino deve-se tomar alguns cuidados.  Primeiramente, deve-se evitar o conflito entre o antigo gato e o novato, tentar “forçar a amizade” pode resultar em lesões sérias à distúrbios comportamentais em ambos.

A introdução deve ser gradual e as brincadeiras em conjunto devem ser estimuladas, porém, lentamente, e na medida que os gatos permitam. Com o tempo o convívio acontecerá normalmente, mas é bom lembrar que gatos possuem personalidade, portanto, alguns podem passar a  tolerar  a presença do novo gato no mesmo ambiente, mas sem muito contato, enquanto  outro,s podem desenvolver verdadeiro vínculo afetivo com o novato, permitindo que durmam juntos, brinquem, e muitas vezes até se “lambam”. Respeite a personalidade do seu gato.

Outro detalhe importante, e que gera grande estresse quando ocorre a introdução de um novo gato, é a quantidade de liteiras (caixas de areia) espalhadas pela casa, deve-se sempre ter um número superior de liteiras em comparação ao número de gatos,  gatos são animais que gostam de uma certa privacidade e exclusividade, e a caixinha de areia pode ser algo bem “pessoal” para o seu gato, principalmente no início de convívio entre os dois, portanto se você possui 2 gatos e deseja adquirir outro tome o cuidado de colocar pelo menos 4 liteiras na casa. Faça sempre a conta, numero de gatos mais um para decidir quantas liteiras colocar. O fator “caixinha de areia” pode estressar o gato a ponto do mesmo passar a apresentar micção e defecação inapropriada, isto é, fora do lugar.

Um frase que resume bem o que desencadeia o estresse no felino, é a quebra de rotina, cada gato reage de uma forma, e alguns parecem nem ligar, no entanto, a grande maioria estressa com mudanças na rotina, como uma mudança de domicílio, de alimentação, a ausência de uma pessoa ou animalzinho querido, a introdução de um novo gato ou de um bebê.

A atitude do dono pode também gerar estresse  no felino, principalmente, os proprietários com comportamento agressivo. O ato de gritar é demasiadamente estressante para o gato. Evite.

Como identificar o estresse no felino?

Mudanças comportamentais são os principais relatos. Entre essas mudanças, podemos encontrar gatinhos que passam a se lamber demais após um fato novo, e a lambedura é tão excessiva a ponto do felino arrancar os pelos de determinada parte do corpo. Outros podem desenvolver um comportamento compulsivo muito relatado, é chamado de wool sucking (segue um video abaixo), que é  o ato de mamar compulsivamente roupas, lençóis, o que pode ser perigoso para o bichano, pois pode estar ingerindo pedaços de tecidos.  Outros podem desenvolver micção e defecação inapropriada, como já citado.  E além das alterações comportamentais, alguns desenvolvem sinais como a diminuição do apetite, podendo simplesmente, parar de comer, e em alguns casos, são relatados vômitos e diarréias.

Em algumas situações o estresse não tem como ser evitado mas pode ser amenizado. Caso você possua um gatinho com algumas das alterações relatadas, procure assistência veterinária especializada.

Vídeo - Wool sucking

 

Leila Sena

Medicina Felina

CRMV/GO 4423

Tags: estresse em gatos, gato estressado, alteração comportamental em gatos, estresse gatos goiânia
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Dicas para o seu bichano passar a virada do ano em segurança.

Por Leila Sena
Leila Sena
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Sexta, 30 Dezembro 2011 "Categoria 0 Comentários

Falta um dia para a tão esperada virada do ano e, realmente, este “post” veio um pouco atrasado, mas vale a pena postar.

São somente algumas recomendações para a virada do ano, já que fogos de artifícios costumam resultar em uma noite bem traumática aos nossos amados felinos  (e  aos nossos cãezinhos também, porque não!!!).

Acredito que o mais triste que pode acontecer é perder o bichano nesse mundo enorme, portanto, o mais importante a fazer no dia anterior à virada é encontrar possíveis rotas de fuga, isto é, locais que permitam que um gatinho assustado fuja, e bloqueá-las de alguma forma. Geralmente, gatos que vivem dentro de casa já possuem seus esconderijos, e sair de casa é a ultima opção, mas como todo cuidado é pouco, vale a pena evitar facilitar a fuga para aqueles gatinhos que são, naturalmente, mais fujões.

Aumentar os esconderijos pela casa pode ajudar. Deixar uma gaveta vazia e aberta, uma porta de armário aberta ou semi-aberta, ou mesmo caixas de papelão estratégicas, isto é, caixas embaixo da cômoda, mesa, etc, também ajudam a diminuir o estresse , visto que, gatos adoram “dominar a situação”, portanto, um local pequeno e seguro, vale mais do que um quarto amplo sem ele ter um único local para se enfiar.

Para os gatos que vivem fora de casa, vale colocá-los somente uma única noite para dentro de casa. Pra quem não gosta deles se misturando pela casa (o que acho pouco provável para quem passa por aqui),  colocá-los naquele quarto ou dispensa que ninguém usa, sempre criando esconderijos para os mesmos, como as já citadas caixas de papelão, contribui e muito para que seu bichano passe a noite em segurança. Vale lembrar que é muito comum nessa data específica, atendermos muitos animais atropelados em hospitais e clínicas, portanto, a segurança do seu animal, é você quem faz.

Para quem tem criança em casa ou, principalmente, para quem receberá crianças em casa, o ideal é que o gato fique em um local onde a criança não tenha acesso, pois a mesma pode estressar o gato com a manipulação excessiva. E com a barulheira dos fogos, o gatinho que já está demasiadamente assustado pode arranhar ou morder uma criança, caso esta faça um  movimento brusco ou tente brincar com o gato.  Aliás, essa dica vale sempre para gatos que não estão acostumados com crianças, independente de ter fogos, festa, ou não. Muitas vezes, é só um arranhãozinho, mas alguns gatos podem machucar dependendo de onde ocorre a mordida e arranhão.

E por último, nessas duas últimas semanas recebi alguns emails sobre qual medicamento administrar para acalmar os ânimos. Bem, infelizmente, não indicarei nenhum, e é simples saber o motivo, tais medicamentos só devem ser prescritos pelo SEU veterinário, independente de ser alopatia, homeopatia, florais.  É importante, que uma pessoa que entenda da tal medicação tenha conhecimento de que o bichinho foi medicado e com o que foi medicado, para poder agir da maneira mais apropriada caso alguma complicação venha a acontecer.  Portanto, por mais forte que pareça, resista ao impulso de ir à casa de ração, agropecuária e pet shop ( sem veterinário), só pra comprar um “remedinho leve que faz dormir” e administrá-lo por conta própria. Um ponto mais importante, é o dono avaliar se dar uma medicação vale mesmo a pena, posso contar nos dedos de uma mão as vezes em que prescrevi um “calmante veterinário” bem conhecido no mercado, pois só prescrevo em casos de última necessidade. Lembre-se é só uma noite, e mantê-los em segurança muitas vezes basta. Para casos mais sérios, animais com distúrbios sérios de ansiedade, que reagem muito mal a barulhos, devem ser avaliados e acompanhados por um médico veterinário que entenda de comportamento,  não é só um remedinho, que ajuda nesses casos.

Bem é isso, é um post meio óbvio, mas vale a pena deixar como dica, já que os acessos à página e ao Blog só tem aumentado.

Para os que vão “festar”  nesse final de ano muito juízo e cuidado com a “bebedeira” e direção, ok!?

 

Tags: final de ano e gatos, dicas de segurança para gatos
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DERMOPET - NOVO LOCAL DE ATENDIMENTO.

Por Leila Sena
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Domingo, 13 Novembro 2011 "Categoria 0 Comentários

Caros Clientes,

Agora temos mais um local de atendimento para nossos amados felinos.

O 1º Consultório de Especialidades de Goiás, o DERMOPET, contando com veterinárias especilizadas na área de Dermatologia Veterinária (M.V. Ana Cristina) e Medicina Felina(M.V. Leila Sena).

Como trabalhamos com horário marcado,  seu amado felino não ficará esperando para ser atendido, diminuindo o stress.

Mais uma facilidade para clientes sempre exigentes.

Tags: dermopet goiania, dermatologia veterinaria goiania, medicina felina goiania, local de atendimento dermopet
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O GATO E A TOXOPLASMOSE

Por Leila Sena
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Quinta, 10 Novembro 2011 "Categoria 0 Comentários

É uma zoonose, isto é, a transmissão se dá entre homens e animais.


É um parasita intracelular obrigatório e apresenta 3 estágios:


Oocistos – liberado nas fezes
Taquizoítos (transplantes, transfusão) e  Bradizoítos – encontrados nos tecidos


O gato é o hospedeiro definitivo. Apesar  disso, eles costumam liberar oocistos uma única vez durante sua vida.  O que reduz o risco do dono e outros animais se infectarem, caso o gato tenha tido um dia contato com o Toxoplasma gondii.
No caso de gatos que estão imunossuprimidos (em tratamento com drogas imunossupressoras ou com FeLV ou FIV), a liberação de oocistos pode ocorrer mais vezes durante a vida do animal, enquanto estiver imunossuprimido.


As três principais formas de transmissão são a infecção congênita, ingestão de tecidos contaminados e ingestão do oocisto em alimentos e água contaminada. Outras formas de infecção (menos freqüentes) incluem a transfusão de fluidos e transplantes de órgãos.
O gato se contamina principalmente pela ingestão de tecidos contaminados de outros hospedeiros (ex: ratos). Ao ingerir os bradizoítos, no estômago e intestino, ocorre a liberação destes bradizoitos pela ação do suco gástrico. Estes irão penetrar as células epiteliais do intestino e partir deste momento, inicia-se a liberação de oocistos não esporulados pelas fezes.


Os oocistos eliminados, inicialmente ,são não esporulados e estes NÃO são infectantes.


O oocisto pode esporular entre 1 a 5 dias, quando exposto ao ar e umidade, e a partir deste momento o mesmo se torna infectante. Portanto, quando o gatinho utilizar a liteira, deve-se retirar as fezes, com pá  ( mulheres grávidas devem ainda utilizar luvas) e quanto menos tempo ficar na liteira, menor a chance do oocisto esporular e assim apresentar algum risco para a família. Lembrando que todo gatinho gosta de “seu banheirinho” limpo, portanto, faça a limpeza diária, pois além do gatinho se sentir melhor, você diminui o risco de infectar seu ambiente.


Vamos a um pequeno detalhe, caso seu gato tenha tido contato com o oocisto e apresente a toxoplasmose, leve em consideração que, como o oocisto esporulado está nas fezes, você só tem chance de se contaminar caso manipule as fezes sem luva e as leve a boca, e essas fezes precisam estar a um tempo no ambiente. O que consideramos pouquíssimo provável já que deve-se sempre lavar as mãos após manipular a caixa de areia do seu gato.
Além disso  gatos que  sempre viveram em apartamentos, apresentam chance próximo a zero de se infectar, já que geralmente não entraram em contato com tecidos de outros hospedeiros, pois não costumam caçar.


Como se pega toxoplasmose?

Pela ingestão de água contaminada, ou alimentos crus e mal lavados. Talvez, por uma transfusão ou transplante.


Dessa forma, você que está grávida, deve redobrar o cuidado com o que se alimenta, ao invés de se livrar de seu gato, como alguns médicos indicam.

 

** referências com a autora. Dúvidas ou sugestões, por favor, entre em contato pelo email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Tags: zoonoses felinos, gatos, Toxoplasmose, toxoplasmose e gravidas
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Ronronar - Que barulhinho é esse que o gato faz?

Por Leila Sena
Leila Sena
Sou médica veterinária, atuo em Brasília, e a minha paixão e especialidade são o
Usuário está desligado
Domingo, 07 Agosto 2011 "Categoria 0 Comentários

 

 

O ronronar ocorre, principalmente, quando o gatinho está relaxado, e na maioria das vezes, quando quer sinalizar que está tudo bem e que está aceitando bem sua presença ou de outros animais/pessoas. Existem ainda, gatos que ronronam quando doentes, como uma forma de sinalização que diz “preciso de cuidados”. O ronronar é uma forma de comunicação do gatinho com o ambiente

Não existe nenhum órgão especial e próprio para o que o ronrom ocorra, ele é resultado de um estímulo enviado do cérebro para a musculatura da laringe que passa a se contrair e relaxar rapidamente, resultando na rápida entrada e saída de ar que gera uma vibração local, que pode ser tanto escutada (é o barulhindo de motor do gato) quanto sentida, quando encostamos em seu pescoço.

O ato de ronronar não é exclusividade dos gatinhos domésticos, alguns felinos selvagens, como a chita (cheetah) e a suçuarana, também “sabem” ronronar, e existem diversos vídeos na internet que demonstram o “barulhinho” que eles fazem.

No entanto, é discutido na comunidade científica se outros felinos selvagem ronronam. Existe uma parte que acredita que sim, mas não da mesma forma que os gatinhos “de casa” e uma outra que acredita que grandes felinos que rugem, não podem ronronar.

Apesar do ronrom ser um barulhinho comum para pessoas que sempre tiveram contato com gatos, existem pessoas que, por não serem familiarizadas com a espécie, se assustam quando percebem que o gato “está vibrando”, chegando a confundir o ronronar com asma ou “algum outro problema”.

Todo gato doméstico ronrona, alguns possuem um ronronar mais audível que outros, sendo que alguns fazem uma “barulhinho” tão baixo, que o dono acreditaO que não ronrona.. Algumas doenças podem fazer com que o gato, realmente, não ronrone, como na paralisia da laringe que pode ocorrer quando há doença neuromuscular, ou ainda quando o ato de ronronar se torna desconfortável, como ocorre com alguns tipos de tumores lanríngeos.

DÚVIDAS E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Chita ronronando: http://www.youtube.com/watch?v=drq_ww7Ytzw

 

 

Tags: gatos ronronam, purring, ronronar
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Curiosidades - Gatos

Por Administrator
Administrator
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Sexta, 22 Julho 2011 "Categoria 0 Comentários

• O cérebro do gato é mais similar ao do homem do que ao do cão.

• A audição dos gatos é muito mais sensível do que a dos homens e cães. Seus ouvidos afunilados, canalizam e amplificam os sons como um megafone.

• Quando o gato está assustado, seu pêlo se eriça por todo o corpo.

Gatos esfregam o rosto em objetos e pessoas para marcar com o seu cheiro, como uma assinatura. O odor é deixado por glândulas, que possuem na parte anterior do rosto.

Gatos selvagens miam muito menos do que os domésticos. Isso se deve ao fato dos gatos aprenderem que miando chamam a atenção do homem para suas necessidades.

A expectativa de vida de um gato de rua (sem dono) é de cerca de 3 anos. Um gato com dono e dentro de casa, pode chegar a 20 anos.

•Os gatos ronronam desde cedo. Mais tarde, o roronar aparece quando o acariciamos ou lhe oferecemos um alimento que ele goste ou a presença de alguém que lhe agrade. No entanto, o ronronar pode aparecer em momentos de estresse e dor.


Tags: gatos, curiosidades, felinos
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